Entrevista exclusiva com Luan Saldanha, da Aditiva Brasil
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“Impressão 3D não é só protótipo”
Você sabe o que é manufatura aditiva? A produção a partir da impressão 3D tem aplicações bastante interessantes na indústria e, como todos os processos, também está sendo transformada com o avanço da inteligência artificial. Para entender o que é e as oportunidades que ela amplia para a indústria, fomos conversar com Luan Saldanha, fundador da Aditiva Brasil, especialista em Inovação Industrial da Embrapii e articulista do Canal Ind4.0 dedicado ao assunto.
A entrevista exclusiva você encontra nesta edição da Vozes do mercado, logo abaixo.
Boa leitura!
Pingue-pongue
Luan Saldanha
Fundador da Aditiva Brasil
Indústria em movimento: Para começar, como você explica o que é a manufatura aditiva?
Luan Saldanha:
Eu gosto de começar falando que manufatura aditiva é mais um processo de fabricação, assim como temos usinagem, injeção, fundição, mas, claro, com seus benefícios e requisitos específicos. Basicamente, a manufatura aditiva é criar peças, camada por camada, a partir de um modelo digital. Nós preparamos um arquivo digital em três dimensões, e a impressora imprime camada por camada. Então, ela não substitui outros processos, ela coexiste. Um dos principais pontos dela é a redução de massa. Devido à possibilidade de criar geometrias complexas, a gente consegue reduzir a massa, mantendo, é claro, todos os requisitos mecânicos daquela peça. Assim, para setores em que a massa é algo muito crítico, como o aeroespacial, ela traz um diferencial muito grande.
Indústria em movimento: E como essa redução de massa é possível por essa modalidade de produção?
LS:
Por exemplo, meus óculos foram feitos por manufatura aditiva, e eles têm partes com ranhuras, vazadas, o que em alguns processos de fabricação não é possível de ser feito. É o que a gente chama de design generativo que, inclusive, utiliza a inteligência artificial. Ela cria diversas possibilidades de desenho, tirando a massa do local onde ela não vai impactar. Em um processo tradicional, a gente parte de um bloco grande de aço, por exemplo, e vai tirando material até chegar no formato desejado – o que está lá dentro não conseguimos tirar com uma ferramenta. Mas, na manufatura aditiva, sim, porque não estamos retirando material: estamos adicionando exatamente só nos pontos em que a gente quer. Isso traz também um aspecto de sustentabilidade, porque usamos material apenas onde realmente é necessário.
As pessoas conhecem as aplicações com polímeros, mas o uso do metal vem crescendo significativamente, ampliando o leque de aplicações para a indústria.
Indústria em movimento: Você falou do bloco de aço… quais materiais hoje podem ser usados?
LS:
A manufatura aditiva vem evoluindo. Antigamente, a gente usava muito polímeros, e hoje usa metais [leia mais aqui], material cerâmico para aplicação na área de saúde, construção de tecidos, próteses. Até alimentos. Fui a um evento e lá eles tinham uma impressora de alimentos, usada tanto para dar um aspecto desejado ao alimento quanto para colocar os nutrientes de uma dieta específica.
Indústria em movimento: Na indústria, para quais setores essa manufatura é mais interessante?
LS:
Como toda nova tecnologia, os custos ainda são altos. Apesar de não ser tão nova, ela era conhecida como prototipagem rápida, porque era focada em protótipos. Hoje, ela é interessante principalmente para setores de alto valor agregado, como a indústria aeroespacial, setor automotivo, óleo e gás, mineração, papel e celulose. Ela também tem impacto em setores que têm grandes estoques de peças para reposição e que podem passar a ter um estoque digital e imprimir sob demanda. A Petrobras tem um caso bem interessante de adoção de impressoras 3D de polímeros nas plataformas com esse propósito. Em outro caso de indústria, no setor de bebidas, eles têm a impressora no chão de fábrica e o pessoal cria ferramentas para ajudar na operação. Isso traz um grande potencial de inovação. Quem conhece os desafios específicos do dia a dia consegue dar ideias e materializar a solução. Outro caso de uso é o de produção customizada. Meus óculos, de novo, foram feitos para o meu rosto.
Giro rápido
Impressão 3D já não é mais só prototipagem. Com ela, você pode reduzir massa, criar geometrias complexas, customizar peças e agregar valor à sua indústria."
Indústria em movimento: Qual é o modelo de negócio adotado hoje?
LS:
Há possibilidades. A primeira é a empresa comprar ou alugar a impressora 3D. Mas ela precisa ter equipe, o equipamento de pós-processamento, matéria-prima. As que não têm um fluxo de produção contratam um birô de manufatura aditiva, que o Brasil passa a ter cada vez mais. Com isso, a manufatura aditiva acaba transformando algumas cadeias produtivas, porque eu posso ter o arquivo digital de uma fábrica nos Estados Unidos e fabricar aqui no Brasil. Cai o tempo de fabricação e logística, além da pegada ambiental.
Indústria em movimento: E como a indústria brasileira está posicionada nesse tema? Qual é o cenário global?
LS:
Estados Unidos, Europa, principalmente Alemanha, e China são os que mais utilizam, sendo a China onde mais cresce. O Brasil tem investimentos menores e o grande desafio são os custos mesmo.

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